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QUINTA-FEIRA, 20 de SETENMBRO de 2018

OPERAÇÃO GREENFIELD

MPF recomenda que Caixa substitua todos os vice-presidentes

O Ministério Público Federal disse que investigação foi realizada com independência

16 de dezembro de 2017

Procuradores da República da, Operação Greenfield, em reunião com a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge

Fonte: Correio Braziliense
Por Antonio Temóteo

Os procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Greenfield recomendaram ao presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, e ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), que substituam imediatamente todos os vice-presidentes do banco público. O documento, assinado pelos procuradores Anlsemo Lopes, Frederico Ferreira, Paulo Gomes e Sara Leite e obtido com exclusividade, aponta que vários dos vice-presidentes da Caixa são investigados pelo Ministério Público Federal (MPF), são apadrinhados por políticos e não tem comprometimento em zelar pelos interesses da estatal.

Além disso, os procuradores recomendam que a indicação de vice-presidentes seja feito por meio de processo seletivo conduzido por head hunter, contratados por meio de processos licitários. Alem disso, recomendam que pareceres da Corregedoria e da área Jurídica do banco sejam oferecidos ao conselho de administração antes de que os candidatos sejam escolhidos.

Conforme o MPF, o inquérito civil que levou as recomendações teve como base investigação independente executada pelo escritório de advocacia Pinheiro Neto, com auxílio da análise forense da empresa Kroll e auditoria da PwC, a pedido do conselho de administração da Caixa. Os procuradores ainda relataram que o trabalho foi realizado como desdobramento dos fatos descobertos nas Operações “Cui Bono”, “Sépsis”, “A Origem” e “Patmos”, deflagradas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, que revelaram sistemática de intensa influência por agentes políticos na gestão da CEF e no processo de contratação e investimentos na instituição, com a finalidade de cobrança de vantagens indevidas.

Em depoimento ao MPF, o vice-presidente Corporativo da Caixa, Antônio Carlos Ferreira, relatou que o ex-deputado Eduardo Cunha impôs três condições para que permanecesse no cargo. O primeiro era exonerar o chefe de um departamento. Além disso, ele deveria participar de reuniões semanais na casa de Cunha, todas às terças-feiras pela manhã, e fornecer uma lista com todas as operações da crédito da vice-presidência acima de R$ 50 milhões.

Antonio Carlos Ferreira ainda detalhou que a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) o teria procurado para que ele a ajudasse a levantar recursos para custear os gastos da campanha. Além disso, ele relatou que recebeu demandas de parlamentares do PRB, como pedidos de patrocínio, apoio a operações de crédito ou de agendamento de reuniões com empresários. O vice-presidente da Caixa afirmou que repassou as demandas para as áreas do banco. Conforme ele, as reuniões ocorreram a pedido do ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marco Pereira, e o deputado federal Celso Russomano (PRB-SP), e os dois condicionaram a permanência dele no cargo ao atendimento desses pedidos. Segundo o MPF, Antonio Carlos Ferreira admitiu que era ligado ao PRB.

Em outro trecho do documento, o vice-presidente da Caixa relatou que o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures teria procurado o presidente da Caixa, Gilberto Occhi e, depois, o próprio Antonio Carlos Ferreira, para tratar de operações de interesse da Rodrimar, empresa que opera no Porto de Santos. Occhi é citado em outro trecho do relatório que informa que durante reunião do conselho diretor da estatal, realizada em 10 de maio de 2017, ele teria solicitado que Ferreira deveria visitar novamente a JBS para tratar de débitos da empresa junto ao banco público. Segundo Ferreira, ele se encontrou com Wesley Batista no dia seguinte e acredita que a demanda chegou a ele por pressão do senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Ligações políticas

O documento ainda cita a vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Deusdina dos Reis Pereira. Segundo o MPF, ela afirmou que é ligada ao PR e se mantém no cargo pelo apoio que recebe do partido. Segundo o documento do MPF, ela ascendeu ao cargo após trabalhar diretamente com o ex-vice presidente da Caixa Fábio Cleto, que foi responsável por repassar informações privilegiadas a Lúcio Funaro e a Eduardo Cunha relacionadas, entre outras, às empresas BR Vias, do Grupo Constantino, e a Seara, da J&F, controlada pela família Batista. Além disso, o documento detalha que ela se apresentou a Eduardo Cunha como substituta de Cleto e mantinha planilha contendo nome de pessoas politicamente relevantes, como ministros, prefeitos e governadores.

Em outro trecho do relatório, os procuradores afirmam que Joesley Batista detalhou em delação que o vice-presidente de Operações Corporativas, Roberto Derziê de Sant’Anna, recebeu pagamentos indevidos. Além disso, o documento relata que Sant’Anna participava de reuniões com Eduardo Cunha. A recomendação do MPF ainda faz menção ao vice-presidente de Redes da Caixa, José Henrique Marques da Cruz, e a outros diretores do banco público.

O MPF ainda recomenda a o estatuto social do banco público defina mecanismos de contratação de vice-presidentes e aprimore mecanismos de transparência e controle dos atos da estatal. Além disso, sugere melhora dos controles internos do banco, que se proíba o uso de e-mail pessoal ou outro meio de comunicação sem registro interno tratar de investimentos do banco.

Além disso, os procuradores recomendaram que reuniões com clientes sejam feitas exclusivamente nas dependências do banco e que atos registrados por empregados e dirigentes do banco fiquem armazenados por, no mínimo cinco anos. Procurada, a Caixa informa que foi notificada no início da noite ontem e responderá as recomendações formalmente as recomendações do MPF, obedecendo o prazo legal. Procurados, Marco Pereira, Celso Russomano, Ciro Nogueira e Rose de Freitas não foram localizados.

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