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SEXTA-FEIRA, 20 de OUTUBRO de 2017

TRABALHO x EMPREGO

Qual a sua posição sobre a greve geral?

Penso que muita gente não está disposta, nem a pensar, nem a buscar informações para tomar um posicionamento. É mais fácil e mais cômodo seguir no piloto automático

14 de maio de 2017

 

Debates entre representantes dos vários segmentos sociais são intensificados na perspectiva de reformas no país

* Otílio Rodrigues

Qual a sua posição pessoal sobre a greve geral convocada pelas centrais sindicais do último dia 28? Mais uma vez o país ficou dividido entre aqueles que apoiaram e os que ficaram contra. Como se posicionar pessoalmente sobre um assunto tão polêmico como este que gera uma forte reação emocional? Há muitos equívocos sobre os problemas nacionais atuais. Compreende-los exigiria algum esforço. Penso que muita gente não está disposta, nem a pensar, nem a buscar informações para tomar um posicionamento. É mais fácil e mais cômodo seguir no piloto automático, daí embarcam na primeira ideia que encontram simpatia.

O que seria importante refletir sobre o problema da greve? Primeiro, que o direito de greve é inalienável. É uma conquista da civilização e que a sociedade brasileira resguarda aos seus trabalhadores. Isto não está em discussão. Qualquer categoria que deseja fazer uma greve, tem o direito assegurado pela Constituição, para tanto, basta seguir os trâmites legais e convencer os trabalhadores em uma assembleia das razões do movimento. Segundo, o que está em discussão nesta greve geral são as razões evocadas pelos organizadores e maneira como fizeram a greve acontecer. E é isso que o cidadão comum deve refletir e assumir uma atitude pessoal. Esta é a responsabilidade de uma cidadania consciente.

Vamos começar então pelo modo de se fez a greve. Como vimos, um pequeno grupo de grevistas fez uso da violência para obterem a adesão dos trabalhadores que não queriam participar. As imagens da violência foram mostradas na TV. Obstruíram ruas, avenidas e estradas de grande movimento para impedir àqueles que não aderiam ao movimento de se deslocarem para o trabalho. Isto é justo? Isto é legítimo? Ora, se as razões para se fazer a greve eram nobres e suficientes, por que então não convencer as pessoas a ficarem em casa e não saírem para ir ao trabalho? Ou será que os motivos para se fazer a greve não eram tão nobres assim? Bastava que as pessoas tivessem ficado seus lares e a greve teria sido um sucesso e não teria havido violência.

Se os grevistas estiverem certos, parece que se abre aí um precedente muito perigoso. Na medida em que eu decido interferir no direito de ir e

vir de uma outra pessoa, cria-se a possibilidade do outro também interferir na minha liberdade de decidir que eu quero e posso fazer. Se assim for, vira uma guerra de todos contra todos. Daí instauramos o caos e a violência generalizada, porque, neste caso, quem decide o que é justo e legítimo? Quem define o que eu posso fazer? Onde fica a soberania da pessoa? Quais são os meus limites? A lei ou o que cada grupo decide como tem que ser?

Imaginem quantas pessoas que tinham consultas médicas marcadas foram impedidas de chegar ao seu objetivo? Quantas pessoas que tinham compromissos profissionais que sofreram graves prejuízos por não terem conseguido estar no local e hora agendados? Quantas pessoas que tinham viagens marcadas que não puderam chegar ao aeroporto? Quantos doentes que se deslocavam para um hospital ficaram presos no transito por causa da greve? Quem paga esta conta e o sofrimento porque passaram?

Por que uma pessoa que não tem a nada a ver com os interesses de uma determinada categoria profissional, teria que arcar com os prejuízos da decisão de uma pequena casta de dirigentes sindicais? Onde está a legitimidade da decisão de um pequeno grupo impor sacrifícios para o conjunto da população? Isto é razoável? Não parece.

O segundo ponto para refletir diz respeito aos motivos alegados da greve geral. Aí também mais uma vez o que se vê é uma grande manipulação e a defesa de interesses particulares de alguns segmentos. Fala-se que a reforma da previdência e a reforma trabalhista está roubando os direitos dos trabalhadores. Mais quais direitos estão sendo retirados? Ninguém aponta.

Tomemos o caso da reforma da previdência. É justo manter um sistema em que os funcionários públicos têm um privilégio cinco vezes maiores que os trabalhadores do setor privado? Como assegurar a execução de um direito quando não se aponta os recursos e as formas que este direito seja garantido? Donde vão vir os recursos? Quem vai pagar a conta? O Brasil é um país ainda jovem, mas que tem um gasto da previdência superior aos de países de uma população mais velha. Como vamos resolver este impasse?

O segundo grande motivo alegado é a reforma trabalhista. Dizem que a reforma trabalhista tira direitos dos trabalhadores. Será? Direitos de quem? Quem podemos chamar de trabalhadores? Somente os que tem carteira assinada? E os que estão desempregados não são trabalhadores? É justo que para garantir o direito de quem trabalha se penalize os que não podem trabalhar? Há alguma dúvida que a legislação trabalhista atual está obsoleta, não protege e causa um enorme malefício aqueles que estão desempregados?

Como assim? Quer entender? A legislação atual é tão complicada, que somos os campeões mundiais de ações trabalhistas. Será que isto é correto? Será mesmo que estamos certos e o mundo desenvolvido é que está errado? Pergunte a quem já abriu uma empresa ou empregou alguma pessoa sobre o peso e as dificuldades de se cumprir os encargos trabalhistas. Queremos continuar assim? Isto é bom para o Brasil? Por que defender somente o direito dos trabalhadores que estão empregados? E por não defender aqueles que estão desempregados? A mudança da legislação trabalhistas não criaria as condições necessárias para aumentar o nível do emprego? Se as leis trabalhistas fossem mais simples haveria mais empregos?

Resumindo, tanto o modo como os motivos pelos quais se defendeu a greve geral me parecem equivocados. Impedir as pessoas de se deslocarem é uma violência indefensável. Fazer greve para impedir as reformas de que tanto o Brasil precisa também não parece uma postura recomendável. Não seria mais coerente debater estas reformas no fórum adequado que é o Congresso Nacional?

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Otílio Rodrigues é economista, consultor empresarial e reside na cidade de Campinas (SP).

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