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QUARTA-FEIRA, 23 de AGOSTO de 2017

ESSÊNCIA DO VIVER

Um leve toque sobre a brevidade da vida e sua importância

O problema é que a grande maioria das pessoas desperdiçam sua vida lamentando o passado, reclamando do presente e se preocupando com o futuro

26 de julho de 2017

É importante ter consciência que devemos aproveitar bem a vida, sempre, em qualquer idade

As primeiras experiências da nossa infância são marcantes no processo de formação da nossa personalidade. Não tem jeito, as imagens vêm e voltam. Apesar de todo o turbilhão de informações que chegam à minha mente diariamente, das coisas que aprendo e desaprendo no meu dia a dia, dos trabalhos e desafios que tenho de enfrentar, das novas tecnologias que sempre são incorporadas ao nosso cotidiano, volta e meia, o que é sempre recorrente em meu cinema mental são as lembranças da minha primeira infância.

Na verdade, a vida não é curta, ela tem a dimensão e a extensão suficiente para aqueles que sabem viver

Posso esquecer rapidamente o que acabei de fazer ou o que li ontem pela manhã numa revista, assim como não me lembro o nome da pessoa que acabei de ser apresentado num encontro de trabalho, mas aquelas lembranças e questões que povoaram a minha mente quando criança, vez por quando, estão me bombardeando de volta. Lembro-me, por exemplo, da veneração que eu tinha pela sabedoria das pessoas mais velhas. No ambiente que eu vivia, os idosos com quem convivia não tinham conhecimento acadêmico, mas eram dotados de um grande conhecimento da vida, e eu tinha uma enorme admiração por aquela gente. Entre tais questões, uma que não esqueço é sobre a brevidade da vida.

Tenho um sentimento de ternura e enorme gratidão por tudo aquilo que aprendi com aquelas pessoas. Muitas vezes, ouvi os meus pais, avós, tios, vizinhos e outros conhecidos falarem sobre a brevidade da vida ou de como o tempo passava muito rápido. A vida é um sopro, diziam, aproveite bem enquanto vocês são jovens. Lembro-me até de uma canção no rádio que cantava assim “se eu pudesse parava o tempo, não deixava o tempo correr”. Aquilo tudo para a minha mente infantil era algo estranho, distante, difícil de compreender a sua essência, mas que eu tinha uma enorme curiosidade. Hoje, muitos anos depois, descubro que o tempo passou para mim também. Em parte, eles estavam certos, devemos sim aproveitar bem a vida, mas isso não é só quando somos jovens. Devemos aproveitar bem a vida, sempre, em qualquer idade.

Há muitos anos, li dois livrinhos pequenos de um autor romano chamado Sêneca, que viveu no século I antes de Cristo, mas que tiveram um enorme impacto no meu intelecto: “Sobre a Brevidade da Vida” e “Da Tranquilidade da Alma”. Porém, com todo respeito à memória dos meus conhecidos, descobri algum tempo depois, que aquelas minhas referências familiares de infância estavam um pouco equivocadas. Na verdade, a vida não é curta, ela tem a dimensão e a extensão suficiente para aqueles que sabem viver. O problema é que a grande maioria das pessoas desperdiçam sua vida lamentando o passado, reclamando do presente e se preocupando com o futuro. Foi isso que aprendi com Sêneca e com o qual a minha experiência demonstrou que ele estava completamente certo.

É incrível perceber, o quanto as pessoas desperdiçam o seu precioso tempo da vida fazendo coisas inúteis e que não trazem nenhum grau de satisfação interior. Isto era assim no tempo de Sêneca e ainda continua sendo nos tempos atuais. Basta ver quanto as pessoas desperdiçam o seu tempo vendo programas medíocres na TV, novelas, programas de violência ou lendo revistas de fofocas sobre a vida de pessoas famosas, coisas que não acrescentam nada à sua qualidade de vida. Quanto tempo diário que é dedicado a circular pelas redes sociais ou mesmo fazendo um trabalho que não se realizam e até mesmo convivendo num relacionamento com alguém que não se identificam.

Este tempo que passa numa rapidez incrível poderia estar sendo melhor aplicado no convívio com pessoas gratificantes, num trabalho realizador, viagens, lendo livros que tratam da cultura e dos problemas universais, fazendo reflexões e discussões filosóficas sobre o modo adequado de viver ou mesmo dedicado a cuidar de hábitos que promovem a saúde física, mental e espiritual.

É importante o cuidado de cultivar hábitos que promovem a saúde física, mental e espiritual

É evidente que não cabe a ninguém dizer o que é melhor para vida de outra pessoa. Cada um é soberano para fazer suas próprias escolhas. Mas, quando presenciamos nos tempos atuais, um grande número de pessoas deprimidas e com distúrbios emocionais é possível questionarmos as escolhas que a maioria faz e nos faz lembrar também daquilo que falava Freud, em seus últimos anos de vida, “é incrível perceber como as pessoas buscam a infelicidade e depois se surpreendem com os resultados que obtêm”.

Sêneca dizia que a vida não era curta, mas que desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, dizia o filosofo romano, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Incrível também é perceber o quanto
que a humanidade evoluiu do ponto de vista da ciência e da tecnologia, porém, no âmbito da vivência interior ainda continuamos os mesmos e continuamos vivendo como nossos pais, como assim falava o poeta Belchior numa inesquecível canção.

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Otílio Rodrigues é economista e consultor empresarial. Mora na cidade de Campinsa (SP).

Notícias de Otílio Rodrigues

TV Folha Picoense

Solo de violão, incrível…

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