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SEXTA-FEIRA, 20 de OUTUBRO de 2017

ESPORTES

Lesão esportiva na prática do JIU-JITSU

A prática dos esportes considerados de alto impacto deve ser criteriosamente dosada, tendo em vista que o surgimento de lesões por excesso de sobrecarga é seguramente maior que o de outras modalidades

01 de julho de 2017

Fisioterapeuta acompanha exercícios de atleta

O Jiu-Jitsu é uma modalidade antiga com quase um século de atividade no Brasil, porém não é vasta a literatura sobre lesões no jiu jitsu. Este é um tema particularmente importante, pois a prática de jiu jitsu tem como consequência a constante exposição dos praticantes a situações de riscos para lesões. Tendo em vista que o jiu jitsu é um esporte de muito contato, onde o objetivo da luta é a submissão do adversário através dos golpes da modalidade, que são impactantes principalmente nas articulações, é possível considerar a modalidade como lesiva.

Esta arte marcial se caracteriza por não opor resistência aos oponentes e sim usar a força dos oponentes contra eles mesmos. Esse estilo de luta se tornou conhecida a nível mundial pelo fato de favorecer a pessoa fisicamente mais fraca. É importante destacar que a modalidade não utiliza socos e chutes contra o adversário, e sim, alavancas e luta de solo.

Atletas do Jiu Jitsu durante realização de exercícios

Segundo Franchini et al. (2003), a finalidade do Jiu-Jitsu é basicamente vencer o oponente expondo-o em riscos de lesões, forçando-o à desistência ou então o deixando fora de ação, levando-o à inconsciência. Para tal prática, é utilizado arremessos (quedas), imobilizações, desequilíbrios, estran-gulamentos e chaves aplicadas às articulações do corpo.

A prática dos esportes considerados de alto impacto deve ser criteriosamente dosada, tendo em vista que o surgimento de lesões por excesso de sobrecarga é seguramente maior que o de outras modalidades, tendo, como resultado, grandes repercussões à saúde diante à iminência de uma lesão. As lesões costumam ocorrer em dois momentos distintos: fase de treinamento ou fase de competição. A fase treinamento é assinalada por lesões típicas e atípicas, ocorrendo de forma menos intensa e menos grave do que na fase de competição. Durante a fase de competição, tendo os atletas necessidade de autoafirmação, aspiração de superar marcas ou a desejo de vencer adversários torna o aparecimento de lesões atípicas e, sobretudo típicas aconteçam com uma frequência e gravidade bem maiores do que na fase de treinamento. (JUNIOR et al., 2015).

De acordo com Oliveira et al. (2013), o conhecimento prévio das lesões mais frequentes e a identificação de suas prováveis causas são de extrema importância para um programa preventivo, bem como para o planejamento do tratamento reabilitador, pois, dessa forma, minimiza- se o tempo de interrupção das competições e treinamentos, favorecendo a performance dos praticantes da modalidade. Dentro desse mesmo estudo foi possível constatar que os praticantes de jiu-jitsu de nível avançado exibem predomínio no total de lesões na prática do esporte, quando comparados aos de nível inicial, no complexo articular do ombro e do joelho. Em se tratando do mecanismo de trauma, os grupos igualmente mostraram que, as projeções (quedas) são as grandes agentes lesivas.

Recentemente, na 22ª edição do campeonato mundial de jiu-jitsu organizado pela IBJJF, o atleta brasileiro Rômulo Barral durante uma semi final tentou resistir a uma chave de pé aplicada pelo adversário ao perceber que ganharia a luta por pontos. O resultado disso foi uma lesão com rotura completa de vários ligamentos do tornozelo além de luxação da articulação.

O tratamento fisioterapêutico para esse tipo de lesão varia de acordo com cada caso. Pode-se destacar a importância do conhecimento do mecanismo da lesão, o tipo de atividade desenvolvida pelo paciente (hobbie, atleta amador ou profissional) e as repercussões fisiológicas que isso trará ao paciente, visando a aplicabilidade de técnicas e protocolos condizentes e específicos para que o paciente retome a prática do seu esporte favorito o quanto antes.


RICCARDO ALBANO é fisioterapeuta, pós-graduando em fisioterapia traumato-ortopédica e desportiva.

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